Muita inteligência na vida real e online

Por Leisa Perch – Especialista de Políticas do Centro RIO+

Recebo um dilúvio diário de informações em meu laptop e sei que muitos de meus colegas estão na mesma situação.  O que me impressiona, no entanto, não é apenas o   volume de informações que recebemos, mas também a  qualidade dos trabalhos que emergem do espaço do desenvolvimento sustentável. Não há dúvida de que temos muitas pessoas realmente inteligentes trabalhando na área.

Então, por que ainda não estamos fazendo o progresso que queremos e precisamos ver?

Nunca antes nossas economias e nosso poder de compra foram tão grandes. Temos acesso a mais tecnologia e conhecimento do que no passado e compreendemos nosso mundo melhor do que nunca.  Nunca tivemos   mais   pessoas engajadas e mobilizadas em torno de questões de desenvolvimento – nunca. Nossos esforços por um mundo melhor e mais justo pelo “futuro que queremos” também nunca foram tão concertados e ambiciosos, como evidenciam os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e os processos da Agenda de Desenvolvimento pós-2015.

No entanto, apesar de termos feito grande progresso em muitas frentes, não conseguimos traduzir tudo o que fazemos de bom em termos de estratégias, reuniões e planejamento em ações que façam diferença significativa, tangível e expressiva para um grande percentual das pessoas ao redor do mundo que sofrem extrema dificuldade e privações.  Correndo o risco de ser simplista: não vemos impacto suficiente de nosso trabalho.

Em 2015, governos, a ONU e organizações internacionais, a sociedade civil e comunidades em todo o mundo se concentrarão fortemente no desenvolvimento sustentável para negociar um marco político que, se bem estabelecido, terá o potencial de transformar a vida de muitas pessoas em todo o mundo.

Chefes de Estado irão endossar a Agenda de Desenvolvimento Pós-2015 e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável em uma cúpula de alto nível que terá lugar em Nova York em setembro próximo, moldando essencialmente a agenda global sobre o desenvolvimento social, econômico e ambiental para, pelo menos, os próximos 15 anos. Mais tarde, em dezembro, governos e líderes mundiais se reunirão em Paris com o objetivo de firmar um novo acordo climático global a ser posto em prática até 2020. As mudanças climáticas são frequentemente citadas como a maior ameaça ao desenvolvimento sustentável. Em 15 anos, a perspectiva atual sobre sustentabilidade e mudanças climáticas poderá ser muito diferente.

Não há como negar: estes são marcos importantes e potenciais elementos de transformação. Marcos políticos permitem que fundos para o desenvolvimento e outros recursos sejam canalizados para projetos que promovem implementação e ação. Eles podem realizar mudanças concretas não só na vida real, para as comunidades, mas também no mundo em geral.

No entanto, apesar de mais de 20 anos de foco em questões de sustentabilidade, ainda debatemos como acelerar a implementação a fim de fazer diferença de verdade. Isto é especialmente verdadeiro no nível local, onde muito mais trabalho precisa ser feito, mas onde as intervenções podem, também, trazer mudanças maiores e mais significativas.

Uma de nossas parceiras de cooperação no campo explicou isso muito bem: “Os pesquisadores precisam dessa ponte para levar a informação aos agricultores”, disse Winnie Ncongwane, do Suazilândia. “Os agricultores precisam saber o que está acontecendo, mas as informações nunca retornam a eles”.

Nosso desafio é, portanto, claro.  Precisamos conectar a política internacional com a realidade e a vida das pessoas no campo.  E o fluxo de informação não deve e não pode ser, unidirecional. Muitas vezes, os pesquisadores coletam dados de comunidades, usam as informações que reuniram e apresentam os resultados ao público de alto nível ou onde quer que atraia maior atenção. Eles muitas vezes esquecem que as comunidades que ajudaram a reunir essas informações estão esperando ansiosamente para saber como as informações que prestaram foram usadas para encontrar soluções para os seus problemas.

No Centro Mundial para o Desenvolvimento Sustentável RIO+, nós e nossos parceiros estamos tomando medidas concretas para resolver esta situação de unidirecionalidade. Embora não haja uma única solução para todos os casos, nem uma panaceia que irá magicamente empoderar as comunidades, identificamos um mecanismo que já se revela altamente eficaz: a comunidade de prática, ou CoP.

A CoP faz parte de uma parceria entre o Centro Mundial para o Desenvolvimento Sustentável RIO+ e a Rede para Análise das Políticas sobre Alimentação, Agricultura e Recursos Naturais (FANRPAN) e tem foco em Gênero e Agricultura de Clima Inteligente e outras questões relacionadas. Usando uma plataforma online, a CoP permite que um grupo de colegas, técnicos, pesquisadores, agricultores e outros participantes com a mesma mentalidade dialoguem livremente, debatam questões, discutam desafios de forma colaborativa, identifiquem soluções para esses desafios e decidam sobre as medidas que podem promover mudança.

É uma plataforma empolgante. Essas discussões e experiências podem informar nosso pensamento de baixo para cima, estimulando os formuladores de políticas a darem mais peso às necessidades daqueles cujos meios de vida são mais afetados pela mudança climática.

No entanto, o mais valioso é como a CoP constrói uma ponte que leva informações de volta para as comunidades locais. Muitos dos participantes da Comunidade de Prática estão trabalhando em posições estratégicas como interlocutores entre agricultores e comunidades locais, de um lado, e governos e organizações de desenvolvimento, de outro, conectando, assim, a política com a prática e vice-versa.

Com as primeiras discussões em outubro de 2014, ficou claro que há grande demanda pela CoP e que a participação é animadora. Outras discussões também já ocorreram.

E tal sucesso inicial não é surpresa. Não apenas a CoP proporciona um espaço para o encontro de corações e mentes sobre questões de desenvolvimento, mas, depois dessas reuniões, a comunidade eletrônica também fornece uma maneira para que as pessoas se reconectem, façam novas conexões com outras partes interessadas e discutam outras iniciativas de colaboração.

É por isso que nas últimas semanas também demos ênfase às ferramentas de comunicação e às mensagens que podemos compartilhar com a CoP para que sejam usadas em suas atividades diárias.  Essa abordagem pode fazer a diferença no dia a dia, fornecendo soluções inteligentes nos aspectos humano, climático e de gênero.

É muita inteligência onde mais precisamos: na vida real e online.

Acesse nosso outro blog postado em Conectando os não conectados, por Nienke Raap (Consultora do RIO+) e Hlami Ngwenya (FANRPAN).

 

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